A cianotipia faz-se muito bem com crianças. Na véspera, o adulto prepara e sensibiliza o papel, de luvas calçadas. Depois, as crianças compõem os seus objetos sobre a folha, vigiam a mudança de cor ao sol e lavam a prova em água limpa. Com os mais pequenos, um papel solar já sensibilizado evita mesmo qualquer manuseamento de produto.
A cianotipia é perigosa para as crianças?
Não, desde que o adulto fique com a parte química. A cianotipia assenta em dois sais de ferro, o citrato férrico amoniacal e o ferricianeto de potássio, que se manuseiam com luvas, numa divisão arejada.
O ferricianeto é pouco tóxico nas doses do processo, mas pode libertar cianeto em contacto com um ácido ou, em solução, sob luz UV.
Depois de sensibilizado e seco, o papel quase já não mancha. Uma oficina com crianças organiza-se, portanto, com algumas regras:
- o adulto prepara as soluções e sensibiliza o papel, de luvas calçadas;
- os frascos ficam fora do alcance das crianças, e nenhum ácido forte se aproxima das soluções;
- as crianças só tocam no papel seco e não levam as mãos à boca;
- no fim da sessão, todos lavam as mãos.
A partir de que idade se pode fazer cianotipia com crianças?
Não há uma idade única: a parte da criança cresce com ela, a do adulto diminui.
| Idade | O que a criança faz | O que fica a cargo do adulto |
|---|---|---|
| A partir dos 4 ou 5 anos | Apanha, compõe sobre a folha, vê a imagem aparecer | O papel sensível e a lavagem |
| Por volta dos 7 ou 8 anos | Gere a exposição, vigia a mudança de cor, lava sozinha | As soluções e a sensibilização |
| A partir dos 10 anos | Pode sensibilizar o papel a pincel, sob vigilância e com luvas | A preparação das soluções |
A partir dos 4 ou 5 anos, a criança compõe muito bem um fotograma, ou seja, uma imagem feita por simples contacto de objetos pousados sobre o papel. O prazer está então na apanha e no aparecimento da imagem.
Para os mais pequenos, o papel solar simplifica ainda mais. É um papel de cianotipia já sensibilizado, vendido em bolsas opacas: basta pousar, expor e lavar. Os educadores do Lawrence Hall of Science de Berkeley desenvolveram-no em 1975, para suprimir a etapa da sensibilização e fazer dele uma ferramenta pedagógica.
Que material prever para uma oficina com crianças?
Um grupo não fica à espera enquanto o papel seca. Por isso, sensibilizam-se as folhas na véspera e deixam-se secar ao abrigo da luz. No dia, é preciso:
- papel sensibilizado e seco, ou papel solar para os mais pequenos;
- um vidro limpo ou uma moldura por criança, para pressionar os objetos;
- uma bacia com água fria para a lavagem;
- algo onde recolher folhas, flores, penas e pequenos objetos;
- luvas para o adulto que manuseia as soluções.
O papel de aguarela, espesso e feito para a água, aguenta sem se rasgar o manuseamento por vezes enérgico das crianças. É o suporte mais tolerante para um grupo.
Um kit evita ter de dosear os químicos à frente das crianças. O kit de cianotipia Sténoflex reúne os dois frascos, o papel de aguarela e as instruções: espalha-se a solução na véspera e, no dia da oficina, resta apenas a parte divertida.
Como decorre uma oficina de cianotipia com crianças?
O ritmo é tudo: alternam-se momentos ativos e momentos de espera, e é a espera pelo sol que mantém o grupo atento.
- A apanha. Cada um apanha folhas, ervas e pequenos objetos. As plantas finas, planas e recortadas, como o feto, são as que se imprimem melhor.
- A composição. A criança dispõe os seus achados sobre o papel sensível e pressiona-os sob um vidro.
- A exposição. Dura de alguns minutos em pleno sol de verão a várias dezenas de minutos com tempo encoberto. Em vez de olharem para o relógio, as crianças aprendem a vigiar a passagem do amarelo-esverdeado ao cinzento-azulado bronzeado.
- A lavagem. Mergulha-se a folha em água fria, e a silhueta branca surge sobre o fundo azul. Lava-se até a água sair límpida.
- A secagem. Deixa-se secar à sombra, onde o azul ainda se intensifica.
E se o tempo estiver encoberto?
Prevê-se uma exposição mais longa, de várias dezenas de minutos, ou expõe-se no interior sob uma lâmpada UV. Esta espera partilhada vale tanto como a imagem.

Uma criança ensaia a sua composição em papel comum, com a ajuda de um adulto, antes de usar o papel sensibilizado.
8 ideias de atividades de cianotipia com crianças
Depois de dominado o gesto, cada sessão pode ter o seu projeto.
1. O herbário do passeio
Cada criança imprime as plantas apanhadas no passeio, uma prancha por planta, sempre no mesmo formato. O herbário em cianotipia ganha forma de sessão em sessão, seguindo os passos de Anna Atkins, a botânica que já em 1843 imprimia as suas algas.
2. O nome em letras recortadas
Letras recortadas em cartão, pousadas sobre a folha, ficam brancas sobre o fundo azul. A criança leva para casa o seu nome impresso pelo sol.
3. Os tesouros de um passeio
Penas, rendas, chaves, ervas: alinham-se os achados de um passeio ao parque. Os objetos translúcidos, como uma pena ou uma renda, deixam passar um pouco de luz e dão cinzentos delicados.
4. O jogo das silhuetas a adivinhar
Cada criança expõe em segredo um objeto do dia a dia, e depois as outras adivinham do que se trata apenas pela sua silhueta branca. O jogo faz perceber que só a forma do objeto fica impressa.
5. A série das estações
Refaz-se uma prancha ao longo das estações, com as plantas do momento: rebentos na primavera, gramíneas no verão, folhas de outono. A série mostra a natureza a mudar.
6. O saco de pano (tote bag) ou a t-shirt estampados
Para os mais crescidos, o tecido substitui o papel. O adulto começa por lavar o saco de pano em água quente sem amaciador para retirar a goma, introduz um cartão no interior e depois sensibiliza-o. A criança compõe e expõe como no papel.
7. O seixo decorado
Um seixo poroso e mate, apanhado na praia, guarda uma marca azul que parece vir do mar.
8. O mural de grupo
Várias folhas colocadas lado a lado formam uma grande superfície. Cada criança compõe a sua parte e, depois, junta-se tudo num mural coletivo.

O herbário: uma planta por prancha, sempre no mesmo formato.

O nome: sob as letras de cartão, o papel ficou branco.

O saco de pano: para os mais crescidos, o tecido substitui o papel.

O seixo: uma pedra porosa e mate guarda bem a marca azul.
O que a cianotipia ensina às crianças
A cianotipia transforma um passeio em matéria para imagens, sem ecrã nem câmara fotográfica. Cada objeto que cobre o papel bloqueia-lhe a luz e desenha nele a sua forma. A regra vê-se a olho nu: o que está tapado fica branco, o que o sol toca fica azul.
Esta lógica da sombra e da luz apreende-se mais pelo gesto do que pela explicação. Na sala de aula, uma sessão cruza assim a luz, as plantas apanhadas no passeio e a paciência, em torno de uma mesma espera, a do sol.

O que as folhas tapavam ficou branco; o que o sol tocou ficou azul.
Os erros a evitar com um grupo de crianças
- Tirar o papel sensível cedo demais: em pleno dia, começa a expor-se ainda antes da composição. Mantenha-o na bolsa ou à sombra até ao último momento.
- Lavar cedo demais: o cinzento-azulado do papel exposto engana, e uma prova subexposta sai pálida. Espere pela mudança para o tom bronzeado.
- Deixar os objetos mexer-se: sem vidro, uma folha mal pressionada dá contornos desfocados. Pressione tudo sob um vidro limpo.
- Lavar com demasiada força ou em água demasiado quente: o azul desbota. Lave em água fria, sem esfregar.

À esquerda, a exposição começa: o papel ainda está amarelo-esverdeado. À direita, passou ao cinzento-azulado bronzeado: já se pode lavar em água fria.
Éric Marais — Fotógrafo, autor de dois livros sobre fotografia pinhole (editora Pearson) e criador do Sténoflex. Desde o início, orienta oficinas de iniciação à fotografia alternativa, da fotografia pinhole à cianotipia.


