Cianótipo de flores realizado por Éric Marais, exemplo de motivo para uma oficina.

Cianotipia para crianças: idade, segurança e 8 ideias

Escrito por Éric Marais

A cianotipia faz-se muito bem com crianças. Na véspera, o adulto prepara e sensibiliza o papel, de luvas calçadas. Depois, as crianças compõem os seus objetos sobre a folha, vigiam a mudança de cor ao sol e lavam a prova em água limpa. Com os mais pequenos, um papel solar já sensibilizado evita mesmo qualquer manuseamento de produto.

A cianotipia é perigosa para as crianças?

Não, desde que o adulto fique com a parte química. A cianotipia assenta em dois sais de ferro, o citrato férrico amoniacal e o ferricianeto de potássio, que se manuseiam com luvas, numa divisão arejada.

O ferricianeto é pouco tóxico nas doses do processo, mas pode libertar cianeto em contacto com um ácido ou, em solução, sob luz UV.

Depois de sensibilizado e seco, o papel quase já não mancha. Uma oficina com crianças organiza-se, portanto, com algumas regras:

  • o adulto prepara as soluções e sensibiliza o papel, de luvas calçadas;
  • os frascos ficam fora do alcance das crianças, e nenhum ácido forte se aproxima das soluções;
  • as crianças só tocam no papel seco e não levam as mãos à boca;
  • no fim da sessão, todos lavam as mãos.

A partir de que idade se pode fazer cianotipia com crianças?

Não há uma idade única: a parte da criança cresce com ela, a do adulto diminui.

Idade O que a criança faz O que fica a cargo do adulto
A partir dos 4 ou 5 anos Apanha, compõe sobre a folha, vê a imagem aparecer O papel sensível e a lavagem
Por volta dos 7 ou 8 anos Gere a exposição, vigia a mudança de cor, lava sozinha As soluções e a sensibilização
A partir dos 10 anos Pode sensibilizar o papel a pincel, sob vigilância e com luvas A preparação das soluções

A partir dos 4 ou 5 anos, a criança compõe muito bem um fotograma, ou seja, uma imagem feita por simples contacto de objetos pousados sobre o papel. O prazer está então na apanha e no aparecimento da imagem.

Para os mais pequenos, o papel solar simplifica ainda mais. É um papel de cianotipia já sensibilizado, vendido em bolsas opacas: basta pousar, expor e lavar. Os educadores do Lawrence Hall of Science de Berkeley desenvolveram-no em 1975, para suprimir a etapa da sensibilização e fazer dele uma ferramenta pedagógica.

Que material prever para uma oficina com crianças?

Um grupo não fica à espera enquanto o papel seca. Por isso, sensibilizam-se as folhas na véspera e deixam-se secar ao abrigo da luz. No dia, é preciso:

  • papel sensibilizado e seco, ou papel solar para os mais pequenos;
  • um vidro limpo ou uma moldura por criança, para pressionar os objetos;
  • uma bacia com água fria para a lavagem;
  • algo onde recolher folhas, flores, penas e pequenos objetos;
  • luvas para o adulto que manuseia as soluções.

O papel de aguarela, espesso e feito para a água, aguenta sem se rasgar o manuseamento por vezes enérgico das crianças. É o suporte mais tolerante para um grupo.

Um kit evita ter de dosear os químicos à frente das crianças. O kit de cianotipia Sténoflex reúne os dois frascos, o papel de aguarela e as instruções: espalha-se a solução na véspera e, no dia da oficina, resta apenas a parte divertida.

Como decorre uma oficina de cianotipia com crianças?

O ritmo é tudo: alternam-se momentos ativos e momentos de espera, e é a espera pelo sol que mantém o grupo atento.

  1. A apanha. Cada um apanha folhas, ervas e pequenos objetos. As plantas finas, planas e recortadas, como o feto, são as que se imprimem melhor.
  2. A composição. A criança dispõe os seus achados sobre o papel sensível e pressiona-os sob um vidro.
  3. A exposição. Dura de alguns minutos em pleno sol de verão a várias dezenas de minutos com tempo encoberto. Em vez de olharem para o relógio, as crianças aprendem a vigiar a passagem do amarelo-esverdeado ao cinzento-azulado bronzeado.
  4. A lavagem. Mergulha-se a folha em água fria, e a silhueta branca surge sobre o fundo azul. Lava-se até a água sair límpida.
  5. A secagem. Deixa-se secar à sombra, onde o azul ainda se intensifica.

E se o tempo estiver encoberto?

Prevê-se uma exposição mais longa, de várias dezenas de minutos, ou expõe-se no interior sob uma lâmpada UV. Esta espera partilhada vale tanto como a imagem.

Pequenas mãos com luvas dispõem três folhas sobre um papel em branco, guiadas por uma mão adulta também com luva.

Uma criança ensaia a sua composição em papel comum, com a ajuda de um adulto, antes de usar o papel sensibilizado.

8 ideias de atividades de cianotipia com crianças

Depois de dominado o gesto, cada sessão pode ter o seu projeto.

1. O herbário do passeio

Cada criança imprime as plantas apanhadas no passeio, uma prancha por planta, sempre no mesmo formato. O herbário em cianotipia ganha forma de sessão em sessão, seguindo os passos de Anna Atkins, a botânica que já em 1843 imprimia as suas algas.

2. O nome em letras recortadas

Letras recortadas em cartão, pousadas sobre a folha, ficam brancas sobre o fundo azul. A criança leva para casa o seu nome impresso pelo sol.

3. Os tesouros de um passeio

Penas, rendas, chaves, ervas: alinham-se os achados de um passeio ao parque. Os objetos translúcidos, como uma pena ou uma renda, deixam passar um pouco de luz e dão cinzentos delicados.

4. O jogo das silhuetas a adivinhar

Cada criança expõe em segredo um objeto do dia a dia, e depois as outras adivinham do que se trata apenas pela sua silhueta branca. O jogo faz perceber que só a forma do objeto fica impressa.

5. A série das estações

Refaz-se uma prancha ao longo das estações, com as plantas do momento: rebentos na primavera, gramíneas no verão, folhas de outono. A série mostra a natureza a mudar.

6. O saco de pano (tote bag) ou a t-shirt estampados

Para os mais crescidos, o tecido substitui o papel. O adulto começa por lavar o saco de pano em água quente sem amaciador para retirar a goma, introduz um cartão no interior e depois sensibiliza-o. A criança compõe e expõe como no papel.

7. O seixo decorado

Um seixo poroso e mate, apanhado na praia, guarda uma marca azul que parece vir do mar.

8. O mural de grupo

Várias folhas colocadas lado a lado formam uma grande superfície. Cada criança compõe a sua parte e, depois, junta-se tudo num mural coletivo.

Quatro pranchas de herbário em cianotipia no mesmo formato: feto, trevo, gramínea e hera a branco sobre fundo azul

O herbário: uma planta por prancha, sempre no mesmo formato.

Prova de cianotipia em que o nome LOU sobressai em letras brancas sobre fundo azul, com as letras de cartão pousadas por baixo

O nome: sob as letras de cartão, o papel ficou branco.

Saco de pano de algodão cru estampado em cianotipia, gramíneas e umbela brancas sobre fundo azul, nas mãos de uma criança

O saco de pano: para os mais crescidos, o tecido substitui o papel.

Seixo poroso e mate com uma marca de cianotipia: pequeno feto branco sobre fundo azul, junto a uma janela

O seixo: uma pedra porosa e mate guarda bem a marca azul.

O que a cianotipia ensina às crianças

A cianotipia transforma um passeio em matéria para imagens, sem ecrã nem câmara fotográfica. Cada objeto que cobre o papel bloqueia-lhe a luz e desenha nele a sua forma. A regra vê-se a olho nu: o que está tapado fica branco, o que o sol toca fica azul.

Esta lógica da sombra e da luz apreende-se mais pelo gesto do que pela explicação. Na sala de aula, uma sessão cruza assim a luz, as plantas apanhadas no passeio e a paciência, em torno de uma mesma espera, a do sol.

Mãos de criança sobre um cianótipo seco: ácer, folha alongada e ginkgo a branco sobre azul, ao lado das folhas verdadeiras

O que as folhas tapavam ficou branco; o que o sol tocou ficou azul.

Os erros a evitar com um grupo de crianças

  • Tirar o papel sensível cedo demais: em pleno dia, começa a expor-se ainda antes da composição. Mantenha-o na bolsa ou à sombra até ao último momento.
  • Lavar cedo demais: o cinzento-azulado do papel exposto engana, e uma prova subexposta sai pálida. Espere pela mudança para o tom bronzeado.
  • Deixar os objetos mexer-se: sem vidro, uma folha mal pressionada dá contornos desfocados. Pressione tudo sob um vidro limpo.
  • Lavar com demasiada força ou em água demasiado quente: o azul desbota. Lave em água fria, sem esfregar.
Ao sol, folha ainda amarelo-esverdeada sob um vidro; ao lado, folha que passou ao cinzento-azulado bronzeado, pousada em água fria

À esquerda, a exposição começa: o papel ainda está amarelo-esverdeado. À direita, passou ao cinzento-azulado bronzeado: já se pode lavar em água fria.

Éric Marais — Fotógrafo, autor de dois livros sobre fotografia pinhole (editora Pearson) e criador do Sténoflex. Desde o início, orienta oficinas de iniciação à fotografia alternativa, da fotografia pinhole à cianotipia.